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Como se prevenir das doenças infecciosas para as quais não há vacina 22/03/2019

Males com incidência ainda elevada no Brasil
requerem preocupação com a prevenção e atenção ao tratamento.



A lista de doenças infecciosas, causadas por micro-organismos
como vírus, bactérias, protozoários e fungos, é enorme. Para muitas existem
vacinas, mas uma parte significativa não conta com proteção – apenas medidas
paliativas de prevenção.

Entre as principais, ainda com alta incidência no Brasil,
estão Aids, hanseníase, hepatite C, malária e sífilis. A boa notícia é que elas
têm tratamento, e com excelentes prognósticos. A seguir, saiba o que são
exatamente essas patologias, seus sintomas, tratamentos e formas de evitá-las.


Aids

O que é: trata-se de uma infecção sexualmente transmissível (IST)
provocada pelo HIV, um retrovírus que ataca o sistema imunológico. Ele é
transmitido pelo sexo vaginal, anal e oral sem camisinha, uso de seringa e
instrumentos perfurocortantes contagiados, transfusão de sangue contaminado e
de mãe infectada para o filho durante a gravidez, no parto ou na amamentação. 
É importante destacar que ter HIV não é o mesmo que ter
Aids – há muitas pessoas soropositivas (que possuem o vírus em seu corpo) e que
passam anos sem apresentar qualquer sintoma e sem desenvolver a doença. A sigla
"Aids" significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, e refere-se
à doença criada pelo vírus.

Sintomas: na fase inicial, chamada de infecção aguda, a
enfermidade pode ser facilmente confundida com uma simples gripe, pois provoca
febre e mal-estar. Outros sinas comuns são manchas pelo corpo, gânglios no
pescoço e dor de garganta. Segundo o Ministério da Saúde, a fase seguinte, que
é assintomática e pode durar vários anos, "é marcada pela forte interação
entre as células de defesa e as constantes e rápidas mutações do vírus".

Depois vem a fase em que os sintomas aparecem: diarreia, febre, astenia (perda ou diminuição da força
física), sudorese noturna e perda de peso superior a 10%. Com o passar do
tempo, a imunidade vai ficando cada vez mais baixa, favorecendo o surgimento de
doenças como hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmoses e até
alguns tipos de câncer.

Diagnóstico e tratamentoo diagnóstico da aids é feito por exame de sangue, e o
tratamento se dá com a combinação de medicamentos antirretrovirais (ARV), cujas
funções são impedir a multiplicação do HIV no organismo e evitar o
enfraquecimento do sistema imunológico para, assim, melhorar a qualidade de
vida e prolongar a sobrevida. O paciente precisará tomar os remédios para o
resto da vida.

Prevenção: uso de preservativos (feminino ou masculino) em todas as relações sexuais, realização
de pré-natal no caso das gestantes, e utilização de seringas e agulhas
descartáveis e luvas para manipular feridas e líquidos corporais.

Incidência no Brasil: em 2017, foram diagnosticados 42.420 novos casos de
HIV e 37.791 de Aids, com uma taxa de detecção de 18,3/100 mil habitantes. O
número de mortes foi de 11.463. De 1980 a junho de 2018, o Ministério da Saúde
registrou 982.129 casos de aids.


Hanseníase

O que é: antigamente conhecida como lepra, é uma doença crônica,
infectocontagiosa, curável e que acomete, principalmente, pele e nervos
periféricos. Ela é causada pelo bacilo Mycobacterium leprae e sua transmissão
ocorre pelo contato com a tosse e o espirro, e pelo contato próximo e
prolongado com pessoas infectadas.

Sintomas: variam conforme os seis tipos de doença, mas os mais comuns são, segundo o Ministério da Saúde,
"manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte
do corpo, aliadas à perda ou alteração de sensibilidade térmica (calor e frio),
ao tato e à dor, principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face,
nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas". Queda de pelos,
ausência de suor, inchaço e diminuição da força dos músculos das mãos e dos
pés, febre, edemas, dor nas juntas, atrofia muscular e sangramento do nariz
também podem surgir. O agravamento da doença ainda pode causar graves
deformações físicas e orais e problemas oculares.

Diagnóstico e tratamento: para diagnosticar a hanseníase é preciso fazer exames
clínicos, dermatoneurólogicos e de sensibilidade. O tratamento é ambulatorial
(sem a necessidade de internação) e feito com o uso de antibiótico
poliquimioterápico. A duração é determinada pelo médico - pode ser de seis
meses a dois anos. Com tratamento correto, ininterrupto e feito logo nos
estágios iniciais da doença, a hanseníase tem cura. O Ministério da Saúde
informa que, durante o tratamento, os pacientes deixam de ser contagiosos e,
portanto, não precisam ficar em isolamento.

Prevenção: para não contrair hanseníase é fundamental evitar o contato com pessoas infectadas. Fora
isso, quando a doença já está presente, a melhor forma de prevenir a instalação
de deficiências e incapacidades físicas é o diagnóstico precoce.

Incidência no Brasil: no período de 2008 a 2016 foram notificados 301.322 casos
em todo o país, dos quais 21.666 (7,2%) eram em menores de 15 anos de idade.


Hepatite C

O que é: causada por vírus (HCV), a hepatite C provoca inflamação
no fígado. Sua transmissão se dá pelo contato com sangue, por meio de compartilhamento
de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos
contaminados. Também pode ocorrer em procedimentos cirúrgicos, odontológicos,
hemodiálise, transfusão e endoscopia quando as normas de biossegurança não são
aplicadas e, menos comumente, no parto e durante o sexo desprotegido.

Sintomas: nem sempre a doença apresenta sintomas, e muitas
vezes eles são inespecíficos, o que torna seu diagnóstico mais difícil. De toda
forma, alguns deles são fraqueza, pele e olhos amarelados, urina escura, fezes
claras, mal-estar, tontura, vômito e febre baixa. O Ministério da Saúde informa
que quando o vírus persiste por mais de seis meses, o que é comum em até 80%
dos casos, caracteriza-se a evolução para a forma crônica. Nessa situação,
cerca de 20% dos infectados correm o risco de desenvolver cirrose hepática e,
de 1% a 5%, câncer de fígado.

Diagnóstico e tratamentoa hepatite C, diagnosticada através de exame de sangue,
tem tratamento com grandes chances de sucesso (de 90% a 95%) quando seguido
corretamente. Normalmente, ele é realizado por cerca de três meses com o uso de
antivirais de ação direta.

Prevençãoevitar a doença é até fácil: basta não compartilhar itens pessoais, como escova de dente,
aparelho de barbear, alicate, seringa e agulha; certificar-se de que os objetos
que serão utilizados em salões de beleza e de tatuagem, por exemplo, foram
devidamente esterilizados e usar preservativo. Fora isso, toda mulher grávida
precisa fazer no pré-natal os exames para detectar a patologia.

Incidência no Brasil: pelos dados do Ministério da Saúde, de 1999 a 2017, foram
200.839 casos da doença - só no ano passado foram 23.070, sendo que mais de 70%
das mortes por hepatites virais foram causadas pelo tipo C.


Malária

O que é: trata-se de uma doença infecciosa febril aguda, não contagiosa, causada por protozoários
Plasmodium – há mais de 100 tipos –, transmitidos pela fêmea infectada do
mosquito Anopheles.

Sintomaso principal é febre alta, de 38º ou 39º, com calafrio, tremor e sudorese. Ela pode ocorrer de
forma cíclica, indo e voltando a cada três dias, mais ou menos. Antes disso, é
comum o paciente sentir náusea, cansaço e falta de apetite. Na forma grave
ainda pode haver prostração, alteração da consciência, falta de ar ou hiperventilação,
convulsão, hipotensão arterial ou choque e hemorragia.

Diagnóstico e tratamento: após o diagnóstico, feito através de exame de
sangue, o tratamento é realizado com medicamentos, sendo que a sua escolha
depende de alguns fatores, como espécie do protozoário infectante, gravidade,
idade do doente e condições associadas (gravidez e outros problemas de saúde,
por exemplo).

Prevenção: ainda não existe vacina contra a malária, mas um grupo de pesquisadores do Centro de Terapia
Celular e Molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da
Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) está
desenvolvendo uma para combater a forma com maior distribuição geográfica e
maior prevalência nas Américas, a vivax. Enquanto ela não é lançada, o
importante é evitar a todo custo ser picado pelo mosquito transmissor –
sobretudo na região da Amazônia, onde são registrados 99% dos casos no Brasil.
As recomendações pessoais são não se expor no fim da tarde sem proteção; usar
roupas de cores claras e que cubram a maior extensão possível do corpo; não
passar perfume; aplicar repelente de ação prolongada e instalar mosquiteiro
para dormir e telas nas janelas e nas portas. Fora isso, é fundamental
desmantelar os locais com água parada, que são os criadouros dos mosquitos.

Incidência no Brasilem todo o território nacional, dados preliminares do
Ministério da Saúde revelam que, de janeiro a setembro de 2018, foram
notificados 146.723 casos de malária. Em 2017, foram 194.425 - um aumento de
mais de 50% em relação ao ano anterior. Uma hipótese para explicar o
crescimento é de que as autoridades tenham "baixado a guarda" contra
a doença, após anos de queda nas infecções.


Sífilis

O que é: Infecção Sexualmente Transmissível (IST) exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum.
A patologia tem diferentes estágios (primário, secundário, latente e terciário)
e dois tipos: adquirida, quando é transmitida pelo sexo sem camisinha com uma
pessoa infectada, e congênita, quando é passada para o bebê durante a gestação
ou o parto.

Sintomasassim como
acontece com a hepatite C, esta doença praticamente não apresenta sintomas na
fase primária. O que pode ocorrer é o surgimento de ferida no pênis, vulva,
vagina, colo uterino ou ânus. Na maioria dos casos ela não coça, dói ou arde e
se cura sozinha, fazendo com que o infectado não procure o médico. Na etapa
secundária, manchas pelo corpo, febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas são
comuns. A latente, dividida entre recente (até 1 ano de infecção) e tardia
(mais de 1 ano de infecção), é assintomática. Já na terciária, os sinais surgem
em um período variável de 2 a 40 anos do contágio e incluem lesões em diversos
órgãos e tecidos, podendo ter como consequência demência, aneurisma da aorta e
artrite, entre outras. No caso da sífilis congênita, os riscos são aborto, má
formação do feto e surdez, cegueira, deficiência mental e até morte do bebê ao
nascer.

Diagnóstico e tratamentoo teste para diagnóstico da sífilis é simples e rápido,
feito por meio de exame de sangue e/ou pela análise laboratorial de lesões na
pele. Uma vez confirmada a doença, o tratamento é realizado apenas com
penicilina - a dosagem é definida de acordo com o estágio.

Prevenção: a sífilis é prevenida com o uso regular de
camisinha (feminina ou masculina) e acompanhamento das gestantes.

Incidência no Brasil: de acordo com
os últimos dados do Ministério da Saúde, a taxa de detecção da enfermidade do
tipo adquirida passou de 44,1 casos/100.000 habitantes em 2016 para
58,1/100.000 habitantes em 2017. Quando se trata da congênita, no ano retrasado
foram 21.183 registros e 195 mortes, e, no passado, 24.666 e 206,
respectivamente.


Vacina

    De acordo com o Ministério da
Saúde, neste momento não há perspectiva de oferta de vacina para qualquer uma
dessas doenças pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pois ainda não existem no
país produtos devidamente registrados na Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).

Em nota, o MS explica que as estratégias de vacinação no
Brasil, bem como a inclusão de novas v
acinas no Programa Nacional de
Imunizações (PNI) e o estabelecimento de grupos populacionais a serem cobertos,
são decisões respaldadas em "bases técnicas, científicas e logísticas, evidência
epidemiológica, eficácia e segurança", somadas à garantia da
sustentabilidade da estratégia adotada para a vacinação e de custo-benefício
econômico: se reduz os custos com tratamentos, hospitalizações, dias de
trabalho/estudo perdidos pelo paciente e/ou seus familiares e sobrevida.


FONTE: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/01/05/como-se-prevenir-das-doencas-infecciosas-para-as-quais-nao-ha-vacina.ghtml

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